segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Passagem comprada para Paris - Da importância da equipe

Relato escrito pela doula Vânia, de São Carlos/ SP.

Aqui em Divinópolis acompanho pelo SUS mas sendo sempre clara sobre o possível abismo entre o plano de parto e o parto real. 
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Luzia chegou até mim através de sua irmã. Ambas grávidas, com poucos meses de diferença, ambas frequentando o GAPN assiduamente, ambas fizeram a preparação comigo. Nenhuma das duas foi à oficina de parto. Cada uma tinha seus motivos particulares, dificuldades distintas.

Voltando à história de Luzia: ela já tinha dois filhos, o primeiro nascido por cesárea, sem hora marcada, e o segundo num parto frank, que foi acompanhado por dois médicos diferentes, dos quais ela guardava lembranças bem distintas: “ quando o Dr Fulano fazia o toque doía muito, e as contrações paravam, aí ele ia embora. Depois o outro fazia toque, não doía quase nada e eu começava ter contrações de novo”. Chegamos à conclusão de que ela tinha sido internada em pródromos e colocada no maldito “sorinho para ajudar”, o que quase resulta numa cesárea, mas graças à mudança de plantão acabou sendo um parto frank.

Conversamos muito sobre isso, e as lembranças já vinham sem mágoas, pareciam limpas de sofrimento, como quando a gente conta uma passagem da infância que foi muito confusa e sofrida na época, mas hoje em dia já conseguimos contar tudo sem pausas e sem suspiros. Estava tudo bem. E Luzia chegou a desejar um parto domiciliar. 

Sua casa própria estava quase pronta, havia uma possibilidade, ainda que pequena, que pudesse ser lá. Mas como a maioria das construções, essa também enrolou um pouco no final, e o jeito era aceitar o parto hospitalar. Como obviamente estavam tendo muitas despesas com o término da casa, o plano era o seguinte: vamos para o hospital o mais perto possível do bebê nascer. Se quando chegarmos lá o plantonista for muito ruim, então vamos chamar outro médico, e o término da casa que espere mais um pouco...

Ok, tudo combinado. O segundo parto tende a ser mais fácil, eu tinha muita fé que daria tudo certo, daquele jeito: vamos chegar com o bebê apontando, não vai dar tempo de ninguém atrapalhar.

Luzia entrou em pródromos numa quarta-feira. Ficou tendo contrações irregulares, às vezes fortes, mas aí sumiam... à noite voltavam... ela me mantinha informada, fiquei de sobreaviso. Fui numa prévia de uma festa religiosa na sexta à noite, uma espécie de ensaio para quem ia trabalhar na festa mesmo, que seria no sábado. Ela me ligou exatamente quando estávamos começando a ensaiar, para avisar que estava com contrações de 10 em 10 minutos. Eu peço que elas me avisem sempre neste ponto, assim caso eu esteja longe de casa, volto sem demora. Mas essa festa não era muito longe de casa, e minhas coisas de doulagem estavam no carro. Então, sem problemas, fiquei andando com o celular dentro do sutiã para não ter dúvidas de que escutaria se ele tocasse. E acabei ficando a festa toda.

No sábado de manhã conversei com ela, estava no mesmo ponto, contrações leves de dez em dez minutos, Luzia muito tranquila, foi fazer compras no supermercado. À tarde eu e meu filho fomos para a festa, ele super feliz porque tocaria seu tambor pela primeira vez. Quando a festa ia começar o meu telefone tocou. Era a minha irmã:
- “Vânia, a Luzia está tentando falar com você e não está conseguindo”.

Ok. Liguei na casa dela, o marido me atendeu e disse que ela estava me pedindo para ir porque as contrações já estavam de cinco em cinco e bem fortes, às vezes com intervalos menores, de três ou dois minutos...

Sem problemas. Chamei meu marido, que fica sempre meio de plantão também, e ele foi buscar o Felipe, que foi embora berrando porque queria ficar na festa, mas desacompanhado não podia... acabamos fazendo uma troca, Raul me levou para a casa de Luzia e depois o levou para jogar Playstation em uma lan house, assim ele parou de chorar.

O marido me recebeu, estava tranquilo, assim como as demais pessoas que estavam na casa.  Ela estava no banheiro, debaixo do chuveiro. Quando entrei fui recebida com um sorriso acompanhado de um olhar meio desfocado. Ela falou assim:
- “Vânia, da outra vez eu não tinha vontade de gritar, mas dessa vez eu preciso! Eu tô gritando muito! Mas não é dor, é uma necessidade de gritar”!

Ai meu Deus... ADORO SER DOULA! Ver uma mulher desabrochando, deixando seus constrangimentos sociais de lado, gritando simplesmente porque quer gritar... tem coisa mais bonita?

Respondi sentindo a força do amor nas minhas palavras:
- Então grita! Manda ver, nós estamos aqui para escutar!
O marido riu. Veio uma contração, e ela mandou ver:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.

Música para os meus ouvidos! Não tinha sofrimento ali, tinha dor... mas nada de sofrimento.
Um minuto depois:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.

Mais um minuto:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.

Os gritos estavam ficando mais curtos mas a duração das contrações era boa. 
Perguntei: - Luzia, você está fazendo força?
Resposta: - “Faz tempo! Eu sempre falei que depois que as contrações começassem mesmo o parto seria rápido!”

Ops! Queremos chegar com o bebê nascendo, mas seria melhor se ele não nascesse no caminho... vamos para a maternidade?
(Numa cidade vizinha tivemos um caso em que o bebê foi mantido internado por 7 dias, tomando antibióticos, sem ter apresentado qualquer problema de saúde nem qualquer alteração nos exames... tudo simplesmente porque havia uma intenção de que o parto fosse domiciliar! Imaginem se nasce no carro!)

A família colocou as coisas no carro sem pressa nem correria, eu ajudei Luzia a se vestir, e depois ela foi andando até o carro, parando durante as contrações. Lembrei de pedir que colocassem uma toalha no banco do carro porque a bolsa de águas ainda não tinha rompido. 

Entramos, eu com ela no banco de trás e o marido dirigindo. Antes de sairmos da garagem ela disse:
- “Rompeu a bolsa.”
Líquido claro, contrações mais fortes depois disso, e ela não se ajeitava inclinada para a frente. Quando vinha a contração ela arqueava as costas para trás e levantava os quadris... e morava longe da maternidade... Umas três vezes eu achei que ia nascer.

Uma lembrança muito legal que tenho do caminho é de quando estávamos passando em frente à Faculdade de Direito. Não tem onde estacionar, então o marido reduziu ao máximo a velocidade, e atrás estava vindo um ônibus, que se aproximou tanto que quando eu olhei para cima pude olhar bem dentro dos olhos do motorista, e ele viu o que estava acontecendo dentro do carro. Então ele freou, quase parou o ônibus, e nós seguimos devagar até ter uma certa distância, que foi mantida até o fim da contração, quando pudemos acelerar novamente.

Quando estávamos fazendo a volta no estacionamento da maternidade, a contração foi tão longa e a força que ela fez foi tão grande que ali eu tive certeza de que ia nascer. Mas não nasceu.

Chegamos, o marido a ajudou a descer do carro, as recepcionistas da maternidade a esta altura tão acostumadas comigo, fizeram sinal para eu entrar com ela e o marido ficou para fazer a internação. Descobri quem era o plantonista do SUS. Não era bom. Mas o bebê estava nascendo. Não ia dar tempo dele fazer as besteiras rotineiras... a informação que eu tinha, e na qual acreditei com todas as células do meu ser, era de que o obstetra plantonista só seria chamado se fosse necessária uma intervenção, se os exames não estivessem bons, coisas assim... e eu tinha certeza de que estava tudo bem, líquido claro, bebê chutando, contrações bem estabelecidas, puxos involuntários... só faltava deixar nascer.

Ficamos sozinhas durante algumas contrações, ela de pé, afastando as pernas durante os puxos, eu até olhava para ver se não estava nascendo! Coloquei música no celular, escolhi certo, ela abriu um grande sorriso... nós duas mergulhadas em ocitocina... e prestes a descobrir que isso não seria o suficiente.

Entraram duas enfermeiras, exatamente durante uma contração, com Luzia a plenos pulmões. Entraram correndo, olharam prá mim e disseram: - “aaaaaaaahhhhh, é a Vânia que está aqui”!
Putz... impossível descrever o tom de: “só podia ser!”... Kkk... Abaixei a cabeça, abri um sorrisinho... e firmei os olhos nos olhos da Luzia. Ainda estava tudo bem.

Fizeram ela deitar-se, o toque foi feito até com pedido de licença, mas nunca vi dedos entrando com tanta velocidade, a outra enfermeira já abrindo a caixa de parto... mas a primeira disse:
- “Não tá nascendo não... está bem baixo mas a dilatação ainda não está completa, tem um rebordo. Dá tempo de levar prá lá”.

Então a caixa de parto foi fechada, e trouxeram uma cadeira de rodas para levá-la até a sala de pré-parto. Neste momento soubemos que a bolsa com os documentos da Luzia tinha ficado em cima da mesa da casa dela, com cartão de pré-natal, documentos... não houve nenhuma dificuldade para internação apesar disso, mas a falta do cartão de pré-natal gerou um pequeno stress.

Logo depois eu cometi o grande erro. Mas vou explicar primeiro. Esta maternidade comprou duas banheiras para parto, duas bolas de fisioterapia e a banqueta de parto UM ANO antes da maternidade do convênio. Por diversas vezes, acompanhando partos no convênio, eu vi as enfermeiras de lá pedindo emprestadas do SUS, a bola, a banqueta e a banheira... eu ACREDITAVA que as enfermeiras do SUS estavam incorporando as práticas não invasivas às suas rotinas. As notícias que corriam eram de que as enfermeiras do SUS estavam atendendo partos na banqueta, no pré-parto, sem transferir sempre para o centro cirúrgico, e sem fazer sempre a episiotomia. Então enquanto Luzia estivesse sendo atendida pelas enfermeiras eu tinha motivos para estar tranquila. Era horário de troca de plantão da enfermagem. Veio falar com a Luzia a enfermeira que estava saindo do plantão. Aproveitei e perguntei: - Posso montar a banheira? Resposta: - “Poooooooode”! Eu sabia que elas consideravam a banheira uma grande frescura, mas não tô nem aí, o fato é que funciona, se não para todas, com certeza para a maioria funciona! Veio falar com a Luzia a enfermeira que estava entrando no plantão. Aproveitei e perguntei de novo: - Posso montar a banheira? R) “Pooooooode”!

A esta altura eu já ido buscar a bola de fisioterapia no depósito que fica ao lado, que estava com um dedo de poeira, e eu limpei, passei álcool gel, coloquei em cima da cama com um lençol limpo por cima (que estava ali, no pé da cama), e Luzia ficava ajoelhada na cama, debruçada na bola, mexendo os quadris, e descansando nos intervalos... durante os quais eu colocava mãos à obra para inflar a banheira, que eu pretendia depois levar para o banheiro e colocar para encher. Era domingo à tarde e a maternidade estava tranquila, um banheiro a menos durante uma ou duas horas não faria grande diferença. Então ficamos assim: nas contrações eu corria e fazia massagens e nos intervalos eu corria para inflar a banheira. Suava aos montes! Rsrsrsr

Foi em um destes momentos em que eu estava inflando a banheira o mais rápido que eu podia, que o médico entrou e falou:
- “O que está acontecendo aqui”?!
E eu, sem olhar para ele, sem nem saber quem era, continuei inflando a banheira e respondi:
- Eu vou montar a banheira para ela entrar.

ESSE foi o meu grande erro. Eu já tinha pedido permissão duas vezes, para as enfermeiras plantonistas, e na hora que ele perguntou eu estava tão envolvida com o que estava fazendo que nem olhei quem era! Ofendi os brios do homem...

Ele respondeu:
- “NO MEU PLANTÃO VOCÊ NÃO VAI FAZER NADA, PODE PARAR E TIRAR ISSO TUDO DAQUI”.

A bola desapareceu dali com tanta rapidez que nem em um milhão de anos eu poderia explicar... alguém tirou e eu nem vi. Parei imediatamente de bombear, abri os bicos da banheira para desinflar e empurrei tudo para baixo da cama.

E ele continou:
- “EU NÃO SEI QUEM É VOCÊ, NEM QUERO SABER, PARA MIM VOCÊ NÃO É NINGUÉM. NO MEU PLANTÃO VOCÊ É SÓ UMA ACOMPANHANTE, VOCÊ VAI SENTAR NESTA CADEIRA E VAI FICAR QUIETA, NÃO VAI FALAR NADA E NÃO VAI COLOCAR A MÃO NA MINHA PACIENTE. ENTENDEU”?

Desnecessário dizer que ele sabia muito bem quem eu sou, e resolveu me colocar onde ele acha que é o meu lugar...  Marcou território. Experimentei de novo o mesmo terror que senti quando doulei pela primeira vez, e ao saber que a moça queria ter um parto de cócoras, o médico olhou para mim e disse: -“você vai fazer ela subir naquela mesa, senão eu não sei o que pode acontecer”. Achei que ele faria uma cesárea só porque ali havia uma intenção de parto vertical.

Desta vez não era o mesmo médico, mas o sentimento foi idêntico. Eu fiquei com medo de que ele fizesse uma cesárea só porque houve uma intenção de usar a banheira para aliviar o desconforto. (Vocês sabem porque muitas parteiras foram queimadas nas fogueiras da santa inquisição?) Abaixei a cabeça, engatei a falar, sim senhor, sim senhor, sim senhor... 

A Luzia olhou prá mim e disse:
- “Vânia, chama outro médico”.
E o médico respondeu para ela, (sem falar grosso como estava fazendo comigo):
- “Você pode chamar quem você quiser, mas enquanto não chegar você está sob minha responsabilidade”.

Logo depois ele saiu de perto.
Falei com ela: - “Posso chamar o Dr Fulano”?
- “Pode”.

Saí e comuniquei ao marido que ela queria que chamassem o outro médico. Eu estava nervosíssima, quase chorando, tremendo. Para mim era como se ela estivesse prestes a ser torturada. O marido infelizmente não entendeu o meu nervosismo. A doula não deveria acalmar a família?! Como é que essa doula aparece quase chorando? Tentei explicar que o médico ia obrigá-la a deitar e ia fazer o corte... R) ué, mas parto não é assim mesmo?!

Então... não havia tempo para explicar.

Voltei para dentro da maternidade, nessa época ainda havia a regra de que só mulheres podem acompanhar parturientes que estão pelo SUS.

Ela já tinha sido levada para dentro do centro obstétrico, e eu fiquei ali, desesperada, liguei para umas seis pessoas diferentes para pedir ajuda, não consegui falar com ninguém, também não sei que tipo de ajuda poderiam levar naquela altura... comecei a dobrar a banheira para colocá-la de volta na mochila. A enfermeira que estava de plantão lá na maternidade do convênio veio me procurar, porque a Dra Carla tinha ligado na maternidade preocupada pq estava longe e viu minhas ligações no celular... estava perguntando quem era que eu estava doulando... expliquei quem era,  a enfermeira ficou ali conversando um pouco, eu estava trêmula e gaguejando... veio alguém correndo lá de dentro do centro obstétrico e falou:
- “Vânia, a Luzia está te chamando, ela quer que você entre.”

Entrei correndo, com a enfermeira me apressando e dizendo, “anda rápido porque já está nascendo”... quase tirei as calças pela cabeça... cheguei e me deparei com a cena de parto frank, o médico mandando fazer força, ela deitada com as pernas prá cima... meu Deus, o que eu poderia fazer? Ajudei ela a fazer a força que ele queria... e temos que dar graças a uma pediatra que estava presente, porque quando vinha a contração ele mandava fazer  força, e a pediatra falava: - “mas só faz força quando a contração já estiver bem forte”. Repetiu isso duas vezes, e na terceira o bebê nasceu. Pelo menos não empurraram a barriga dela... O bebê foi colocado sobre ela, que o abraçou e abriu um grande sorriso. Ele estava rosado, chorou forte e logo se acalmou.

A pediatra pediu licença para levá-lo para os exames, o obstetra dando pontos na Luzia, e depois que acabou fez recomendações para a enfermagem, falou “Parabéns” para a Luzia e se retirou.

O bebê foi trazido de volta, a enfermeira a ajudou colocá-lo para mamar, ele pegou logo, estava tranquilo... Tirei fotos dela amamentando, tentei filmar mas não deu certo. Daí a pouco pediram licença para levar o bebê para ser banhado, pesado, etc... aí ficamos sozinhas, perguntei se ela queria falar com a mãe dela, ela quis, ligou do meu celular, conversaram. Daí a pouco o cel tocou, era a irmã dela, conversaram... mas não, não estava tudo bem. 

Luzia preparou-se a gestação toda, venceu seus medos, quis seu parto natural, e principalmente confiou em mim para ajudá-la a chamar outro médico se fosse necessário. Eu ACREDITEI que isso seria possível, mas não deu certo. E tudo porque eu tive a grande idéia de encher uma banheira!!

Enquanto ela estava aguardando ser levada para o quarto eu fui lá fora falar com o marido e com a irmã dele, que estavam nervosíssimos por minha culpa, afinal uma doula quase chorando não é o que se espera ver... de volta ao quarto ajudei Luzia durante o banho, pegando roupas e toalha enquanto a enfermeira a acompanhava, e ela durante o banho dizia assim: “eu pedi tanto para ele não me cortar”...

Logo deixaram o marido entrar e o bebê veio para o quarto, tudo muito rápido, pelo menos isso, graçasaDeus... a mãe dela também chegou, mas era horário de visita, e dez minutos depois já fizeram todo mundo sair porque o horário tinha acabado. Então a mãe dela ficou e eu fui embora, simplesmente porque não podia ficar mais.

Luzia teve depressão após o nascimento do seu bebê. Foi diagnosticada como depressão pós-parto, mas NÃO FOI, e a maior prova disso é que ela amamentou sem dificuldade, e vinculou-se muito bem ao bebê, cuidando dele com tanta facilidade quanto com os outros filhos.

O que ela teve foi depressão pós-traumática. Trauma causado pelo atendimento super desatualizado do médico plantonista do SUS, mas principalmente o trauma causado pelo sentimento de ter sido abandonada pela doula, que no final pareceu ter passado para o lado do médico, falando para ela fazer a força que ele queria que ela fizesse.

Visitei-a alguns dias depois do parto e ela estava bem, amamentando sem dificuldades, mas lamentando muito ter sido obrigada a deitar-se e também a episiotomia. Recusei-me a receber pela doulagem. Achei que era o mínimo que eu podia fazer. 

Meses depois pedi notícias dela por uma conhecida, e a resposta foi: “Ela está bem. Contanto que ninguém fale em doula nem em parto humanizado, fica tudo bem”.

Então... dessa vez não mandei o relato para ela. Ela só vai achar esse relato se procurar. E se achar e quiser conversar, estarei sempre à disposição. Luzia é um nome fictício. Porque Luzia preparou-se para dar à luz. Comprou uma passagem para o destino mais procurado da Terra, a cidade luz, e pretendia curtir tudo, cada instante... no final foi levada pela guia da excursão a dar uma volta na mesma praia em que ela já esteve outras vezes! E não é bom ir para a praia? Claro que é. Mas desta vez ela queria ir para uma viagem bem diferente... 

Fica aqui o meu pedido de perdão.

Só mais uma coisa: dessa vez aprendi a lição. NUNCA MAIS vou doular ninguém pelo SUS. Nunca mais vou acreditar que se chegar nascendo fica tudo bem. Deusmelivre de sentir outra vez na vida a sensação de que se eu não estivesse lá teria sido melhor. Daqui prá frente só trabalho com médicos que gostam de doulas. Amém!

A Luzia e sua família, minha admiração e meu amor eterno. Ainda que não seja suficiente, é o máximo que posso oferecer. Espero que estejam bem.

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