quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Venha ser doula!


As 50 Intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto

(por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)

1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífilis – VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B – AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).
2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).
3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.
4) Ultrassonografias sem indicação clínica.
5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das “Indicações das desnecesáreas).
10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.
11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.
12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.
13) Restringir a escolha do local de parto.
14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.
15) Internação precoce.
16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.
17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.
18) Toque Retal.
19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).
20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.
21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.
22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.
23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).
24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.
25) Uso rotineiro de analgesia de parto.
26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.
27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).
28) Puxos precoces (treinar fazer “a” força, antes que a mulher possa sentir os puxos).
29) Puxos dirigidos (“faça força agora”, “força comprida”, etc).
30) Manobra de Valsalva (orientar a “trincar os dentes e fazer força”).
31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.
32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/”só uma ajudinha”.
33) Manobra de “divulsão” perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.
34) Episiotomia.
35) Não permitir o nascimento espontâneo.
36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.
37) Sutura rotineira das lacerações.
38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).
39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.
40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.
41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.
42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.
43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.
44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).
45) Levar bebês saudáveis para o berçário.
46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.
47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.
48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.
49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.
50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Quanto custa ter uma doula?



Eu sempre falo que a pergunta deve ser outra: quanto custa NÃO ter uma. E custa muito.
Pode custar o desespero nas últimas semanas da gestação, o sentimento da falta de apoio.

Lembrem-se: gravidíssimas são emotivas por excelência, e ser taxada de aberração por desejar o parto natural é cruel.
Pode faltar o apoio simples para trocar o médico cesarista. Pode faltar alguém que didaticamente lhe ajude com os medos específicos do parto, um ombro amigo que não vai tentar lhe convencer que o corpo é defeituoso.
Pode custar uma ida precipitada à maternidade, que invariavelmente recairá numa série de intervenções dolorosas, humilhantes e desnecessárias.
Pode faltar alguém experiente em trabalho e parto, e que possibilite ao pai curtir o momento sem se preocupar em ser responsável. Pode faltar alguém com lide suficiente para lhe lembrar de comer e beber. Alguma sugestão de respiração, massagens, posições e exercícios nas contrações e expulsivo. Pode faltar alguém para lhe dar um ânimo de confiança.
Pode faltar alguém com tato e confiança na amamentação.
As doulas tem a inteligência emocional desenvolvida: sabem o que falar e como, no momento mais vulnerável de nossas vidas. Dão a segurança para que os pais possam curtir o momento sem pressões. É um bicho multi-uso: ajuda a vencer os medos da gravidez, serve de ombro amigo, ajuda a compreender os processos próprios do parto, cronometra contrações, atende o celular, prepara algo para comer. Sugere posições para alívio de dor e também para acelerar algum ponto. 
Um guia do desconhecido. Diminui estatisticamente as necessidades de analgesia, fórceps e cesáreas. Vai menosprezar isso?
E o dinheiro? É pouco. Com certeza, dá-se sempre um jeito de pagar. Não é absolutamente tão caro quanto você imagina, e valeria a pena mesmo que custasse o quádruplo. Pense no quanto já gastou no enxoval, no chá de bebê e reveja seus conceitos do que é realmente importante. Se você colocar no papel quanto custariam os desdobramentos de uma cesárea e uma amamentação falida, dá muito e MUITO mais do que o custo da doula, sem contar no aspecto psicológico de viver a experiência mais marcante de uma mulher com plenitude.
A pergunta é: posso não ter doula e ter um belíssimo parto natural? Claro que pode, é tudo uma questão de respeito e conhecimento. Ter doula durante o trabalho de parto é uma escolha ? por exemplo numa casa de parto boa com acompanhante carinhoso ou domiciliar com certas parteiras. 
Agora num hospitalar, ainda mais no Brasil, acho totalmente improvável e não recomendo em hipótese alguma. Sou da opinião que se você acha que está em "dúvida" se quererá uma doula, pegue. Nunca vi nenhuma mulher se arrependendo de ter.
Não caia na besteira de achar que acompanhante fará esse papel: o mais normal é tal pessoa não querer que a parturiente "sofra", ficam com pena, ou simplesmente se apavoram com o parto. Não é por mal, simplesmente é a falta da segurança e experiência.
Então, e agora, quanto custa pra você?

Texto gentilmente cedido por Valentine Kasin, do Mãe de Peso.


sábado, 2 de abril de 2016

Relato da importância da doula: enquete

Doulas são a força fora do corpo. A confiança quando falta a fé. 
Carinho, amor e acolhimento. O remo, a ponte, o esteio, o pelego.
Doulas não realizam procedimentos mas são imprescindíveis no parto! 
Conte-nos sua experiência com a doula! Participe da enquete no mês de abril!

Link direto para a enquete

Rebeca doulando Daniela - Foto de Daniela Djean


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Cesárea: o que mais marca as mulheres que passam por essa experiência

Conversa paralela no bloco

"Uma imagem sobre a conversa sem sentido que escutei na sala de cirurgia durante a cesariana. Falavam sobre uma suposta fita amarela marcando árvores perto do hospital e especulavam se significava que eles seriam cortadas ou não." 

Um sonho que tive algumas semanas antes da cesariana

Clube do corte – tá na moda!


O excesso de cesarianas faz o procedimento parecer um bem de consumo, uma verdadeira moda, desejável, reproduzível em vários lugares do mundo.

Anestesia raquidiana



A sensação de estar inerte, de não conseguir se mexer no  momento mais importante da gravidez. Os efeitos colaterais, não ver o que está acontecendo, a passividade.

Meu primeiro banho

 


Muita dor e dependência para fazer uma tarefa antes corriqueira.
                          Sorria, você tem um bebê saudável

A sociedade cobra o sorriso acima da dor, da frustração, da fraqueza. Você também se sentiu assim? Impededida ou incompreendida de expressar seus sentimentos após uma cirurgia desejada ou indesejada?
O que Frieda faria?


Anestesiar primeiro e medicar mais tarde. Nenhuma dor resiste à quantidade de medicamentos do pós parto. Será?


"Corte na linha média até a fáscia"
(Trecho do prontuário)


Cirurgia de grande porte, amplamente realizada, mas que oferece 5% de risco de cortar  o bebê. Você sabia?


Espere para ver seu bebê


" Você poderá ir para o quarto e ver seu bebê assim que você puder mover suas pernas." Levou cinco horas e meia para eu "receber o meu bebê". A espera na sala de recuperação, sozinha, sem acompanhante e sem o bebê, sangrando, tremendo, pode ser uma péssima lembrança da cesariana.

Procedimento realizado


Era para ser o momento mais lindo mas se tornou um procedimento médico. Banalizado e nada protagonizado por mãe ou bebê. Separados para sempre, começando ali.

Tremores pós anestesia. Frio congelante.


Ninguém explica o que pode acontecer após a operação, incluindo solidão, medo, frio, dor, tremores, dores de cabeça, coceira...

Memórias que se agarram em mim


Estresse pós traumático. Lembranças da sala de cirurgia. Medo de engravidar de novo. Dificuldade de vínculo com o bebê. Medo de nova cesárea em outra gestação. Lembranças difíceis de superar...

Sangue


Sangue aspirado durante a cirurgia. Sangue na maca. Sangue na cama. Maior perda de sangue. Maior risco de hemorragia...

Pacotes descartáveis




Abrindo de qualquer forma, extraindo o conteúdo, desconsiderando meus desejos.
Mulheres não são embalagens descartáveis de bebês!


Baseado em: https://cesareanart.wordpress.com/

Mania de dilatação



Foto de Aline Fevereiro.
A nossa cultura de parto gira em torno da DILATAÇÃO.
☆ Exames de toque em todas as consultas do pré-natal.
☆ Mulheres preocupadas porque não tem dilatação sendo que nem estão em trabalho de parto.
☆ Mulheres ansiosas porque estão com 1, 2, 3, 4cm de dilatação, sem nenhum sinal de trabalho de parto.
☆ Mulheres desesperadas com os centímetros dilatados, sem trabalho de parto, querendo, inutilmente, adiantar o processo, caminhando, agachando, rebolando...
E tudo por causa do bendito exame de toque, totalmente desnecessário no pré-natal (salvo em caso de suspeita de parto prematuro).
♡ MULHERES,
♡ Recusem o exame de toque no pré-natal.
♡A dilatação antes do trabalho de parto nao quer dizer NADA! Ter alguma dilatação antes do TP não determina a rapidez da evolução do parto.
♡ Uma mulher pode permanecer semaaaaanas com 2cm de dilatação. E quando entrar em TP, pode demorar muitas horas até atingir 10cm. Outra pode estar com o colo grosso e fechado hoje e parir em 2h amanhã. Não há regra.
☆☆☆Esqueçam dilatação fora de TP. Nem em TP ela é primordial.☆☆☆
♡♡♡ O bebê só nasce pela vagina se a mulher passar pelo trabalho de parto toooodo, o que inclui o TP ATIVO (contrações longas e frequentes) e período expulsivo (vontade espontânea de fazer força).



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Sobre a suposta instalação da "Ditadura do Parto Normal"

1) Se um dia houve uma ditadura, foi a da cesariana. Nos hospitais privados a taxa continua sendo de 80 a 95%. Nos públicos de São Paulo, de 40 a 70% salvas algumas honrosas exceções. Há uma ditadura mesmo. Da cirurgia.
2) Não há uma criminalização da cesariana, mas há um descortinamento das cesarianas criminosas, finalmente. Agora todo mundo sabe que mentiras são ditas entre 4 paredes sem o menor constrangimento. Os planos divulgaram as taxas dos médicos. 100%. Sim, 100%. Ditadura do parto normal foi uma piada de mau gosto.
3) O parto é um ato heroico sim, bem como a amamentação, ambos numa sociedade que desvaloriza os processos fisiológicos e ufaniza os procedimentos cirúrgicos e o uso de mamadeiras e chupetas e complementos.
4) Não fale "emponderamento" por Osiris. É em-poder-amento. E falando em empoderamento das mulheres, finalmente elas estão contando os seus ‪#‎primeiroassédio‬ s, os ‪#‎meuamigosecreto‬ e‪#‎minhacesáreamentirosa‬ e também suas violências obstétricas empurradas goela abaixo. Em-poder-emos duas mulheres, quatro mulheres, mil mulheres!! Que elas possam abrir o bico mesmo!
5) O movimento pela humanização do parto vai continuar estimulando as mulheres a fugirem de suas cesáreas desnecessárias E procurarem uma segunda opinião para avaliação de seus casos. Porque os partos são roubados sim e as mulheres são violentadas sistematicamente dentro de serviços obstétricos sim. Só o cego por conveniência não vê.
6) A exposição de casos específicos por médicos é falta ética e será denunciada no CRM. Médicos anti-éticos Não passarão, até mesmo para valorizarmos os médicos éticos que existem por aí.
7) O parto não é mais importante nem vale mais que o filho e se alguém sugere isso, essa pessoa é uma louca. O fato de uma mulher querer parir quando os plantonistas de um hospital com 85% de cesarianas dizem que ela precisa de uma cesariana eletiva não demonstra que ela valoriza o parto mais do que o filho. Demonstra que os médicos não estão passando mais confiança, porque eles estão praticando uma obstetrícia tosca, feia e mal amada.
8) Triste e revoltante é ver uma médica expor uma paciente fotografando seu prontuário e expondo em rede social.
9) Doulas, obstetrizes, emponderadas [sic], palpiteiros , burocratas da saúde e da justiça etc... tem justificativa sim Pratiquem uma obstetrícia decente, de qualidade, para que as mulheres não precisem fugir dela como o diabo da cruz.
10) Parto não é um ato MÉDICO e HOSPITALAR . Ponto final.

Por Ana Cristina Duarte

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Normal x humanizado: você sabe mesmo a diferença?

A expressão se popularizou, mas muita gente ainda não sabe o que é, afinal de contas, um parto humanizado.

Por Luciana Benatti
Um ambiente acolhedor, com pouca luz e música suave, para deixar a mulher mais à vontade durante o trabalho de parto. Para muita gente, é isso o que diferencia um parto humanizado de um parto normal hospitalar padrão.
Quando se fala em humanização da assistência ao parto, porém, há muito mais coisas em jogo do que a beleza das instalações e a gentileza no trato com as parturientes. Envolve também uma mudança de atitude: respeitar os desejos das mulheres.
“Existem dois tipos de humanismo: o que eu chamo de humanismo superficial, no qual o quarto é bonito e a mãe é tratada de maneira amável, mas a taxa de intervenções não diminui, e o que eu chamo de humanismo profundo no qual a profunda fisiologia do nascimento é honrada”, observa a antropóloga norte-americana Robbie Davis-Floyd num artigo publicado pela revista Midwifery Today em 2007.
Mas a que intervenções exatamente ela se refere? Os procedimentos hospitalares realizados rotineiramente durante o parto são necessários para ajudar no processo natural, de modo a garantir a manutenção da saúde da mãe e do bebê, certo?
Errado. Essa é a primeira questão difícil de compreender: pesquisas científicas mostram que muitas das intervenções médicas praticadas atualmente no parto normal são, na verdade, desnecessárias e prejudiciais. No entanto, continuam sendo feitas. Por quê? Boa pergunta…
O uso rotineiro de enema (lavagem intestinal), de raspagem dos pelos púbicos, de infusão intravenosa (soro) e da posição supina (mulher deitada de barriga para cima) durante o trabalho de parto estão entre as condutas consideradas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar disso, fazem parte do protocolo de assistência de muitos hospitais e maternidades, sendo realizadas todos os dias, de forma indiscriminada.
O mesmo vale para para os procedimentos com o recém-nascido: na maioria dos hospitais, logo após o nascimento, os bebês têm as vias aéreas aspiradas pelo pediatra com o uso de sonda, mesmo aqueles que nascem saudáveis e que seriam capazes de eliminar por conta própria as secreções. Por outro lado, o contato pele a pele com a mãe, fundamental para o estabelecimento do vínculo, e a amamentação na primeira hora de vida, preconizada pela OMS, muitas vezes não são priorizados pela equipe.
No parto humanizado, por outro lado, nenhum procedimento é rotineiro: as intervenções são feitas de forma criteriosa e apenas quando realmente necessário.
A segunda questão complexa diz respeito à participação de cada um dos atores na cena do parto. Em nossa cultura, quem costuma ocupar o papel principal é o médico, que “estudou para isso”, como se ouve muito por aí. Nessa visão, cabe à mulher uma posição passiva. A última palavra é do profissional, pois o parto é um “ato médico”.
O movimento de humanização do parto, que cresce em várias partes do mundo, tem uma visão diferente: a mulher é protagonista do próprio parto e deve participar ativamente das decisões, em parceria com os profissionais que lhe dão assistência.
No parto humanizado, a mulher é incentivada a se informar e a fazer suas próprias escolhas. Seus desejos são acolhidos e respeitados.
Veja no quadro abaixo algumas das principais diferenças entre o parto normal hospitalar padrão e o parto humanizado.
NormalHumanizado
Pré-natalEm geral, limita-se a avaliar a saúde física da mulher e do bebê. Aspectos emocionais da gestação ficam em segundo plano. Fala-se pouco de parto.Avalia a saúde física da mulher, incluindo todos os exames recomendados pela OMS, e também dá grande ênfase ao preparo emocional da mulher para o parto e a maternidade.
Início do trabalho de partoDificilmente permite-se que a gestação ultrapasse 40 semanas. Quando atinge esse “limite”, a mulher é internada para a indução do parto com medicamentos ou vai para a cesárea porque “passou da data”.Costuma ser espontâneo, ainda que o tempo de gestação ultrapasse as 40 semanas (com consultas e exames mais frequentes após 41 semanas).
Ruptura da bolsaEm geral é provocada pelo médico, com uma espécie de agulha, para acelerar o trabalho de parto.Costuma acontecer naturalmente, de forma espontânea, ao longo do trabalho de parto.
Duração do trabalho de partoÉ acelerada com ocitocina sintética (hormônio), que intensifica as contrações.Respeita-se o ritmo natural do nascimento, que varia muito de um parto para o outro.
Posição durante o trabalho de partoDeitada na cama, de barriga para cima. Um cinta presa na barriga da mulher e ligada a um aparelho (cardiotocografia) monitora as contrações e os batimentos cardíacos do bebê.A mulher tem liberdade para escolher e alternar posições. Pode sentar na bola de parto, deitar na banheira, ficar de quatro sobre cama, acocorar-se nas contrações etc. Mais sobre posições para o parto, aqui.
AnestesiaNo atendimento particular, é um procedimento de rotina (para todas as mulheres, ao atingirem um determinado estágio de dilatação). No serviço público, não está disponível tão facilmente.É uma escolha da mulher, que é incentivada a dar preferência a métodos naturais de alívio da dor, como massagens, banhos mornos e o suporte físico e emocional de uma doula (acompanhante de parto). Quando a mulher decide pelo alívio medicamentoso, é feita uma analgesia, que tira a dor, mas não os movimentos.Mais sobre analgesia, aqui.
LocalHospital (sala de parto ou centro cirúrgico).Hospital (suíte de parto normal, com chuveiro, banheira e bola de parto), em casa de partos ou em casa (apenas para gestantes de baixo risco).
Episiotomia (corte no períneo)Procedimento de rotina, feito em praticamente todos os partos normais.Realizada raramente, apenas se absolutamente necessário. Mais sobre episiotomia e preparação perineal para o parto, aqui.
Contato com o bebê após o nascimentoO cordão umbilical é cortado imediatamente, o bebê é mostrado para a mãe e levado pelo pediatra para uma série de exames e intervenções, como a aspiração das vias aéreas superiores e a aplicação de colírio de nitrato de prata.Se o bebê nasce bem (o que é o caso da maioria), a prioridade do pediatra é garantir o contato pele a pele do recém-nascido com a mãe. O bebê é apenas enxugado e coberto com panos macios, no colo da mãe. São oferecidas todas as condições para que ocorra a amamentação na primeira hora de vida. A aspiração é feita apenas se for realmente necessário. O cordão é cortado só depois que para de pulsar. Mais sobre atendimento humanizado ao recém-nascido, aqui.
Participação da mulherA gestante tem uma posição passiva diante do processo do parto. É considerada uma “paciente” e, como tal, é esperado que aceite as decisões do médico, que é quem está de fato no comando da situação.Compartilha a tomada de decisões com a equipe responsável pela assistência ao parto, que pode contar com médico ou parteira (enfermeira obstetra ou obstetriz). No segundo caso, o obstetra fica na retaguarda e é acionado apenas se necessário.