quinta-feira, 1 de junho de 2017

58 imagens que retratam a relação especial entre mães e assistentes de parto

Para muitos pais, as doulas são faróis que transmitem coragem de uma maneira calma, melhorando a experiência do parto e pós-parto de maneira incomparável.
“Doula”, palavra de origem grega que significa “aquela que serve”, é uma profissional treinada para auxiliar mães em trabalho de parto, proporcionando conhecimento especializado e apoio emocional, além de defender as necessidades das mães durante o nascimento do bebê e seus desejos.
No Brasil, apesar da falta de estatísticas, a Associação Nacional de Doulas (ANDO) destaca que a demanda por esse tipo de serviço tem crescido significativamente.
Confira no link abaixo 58 fotos incríveis de doulas em ação nos Estados Unidos e em outros países, inclusive no Brasil, com legendas dos fotógrafos que presenciaram os mágicos momentos.


  • Fonte:

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A consulta da doula

Você descobriu que está grávida! Parabéns! E agora?
O que está acontecendo no seu corpo? Por quê do sono, enjoo, sangramentos, dores de cabeça?
O que é importante fazer tecnicamente (exame físico, de sangue, de imagem?) e o que é desnecessário?
O que é importante saber para se preparar para o desafio de maternar?
Ao marcar um atendimento com seu médico a primeira frustração: consulta rápida, sem acolhimento, com orientações padrão, poucas explicações, muitos exames que nem sempre são explicados.
Como melhorar essa experiência? Marcando uma consulta com uma doula!
A doula é a profissional que irá te atender em casa, junto com seus familiares se você desejar, e irá acolher as suas dúvidas sobre sinais, sintomas, dará dicas de alívios naturais para sues incômodos em qualquer fase da gestação. Ela irá te informar sobre os sinais de alerta para sua saúde e do seu bebê e acionará uma equipe caso haja necessidade de suporte (psicólogo, enfermeiro, fisioterapeuta, médico).
Ela irá discutir com você o plano de parto, os locais de parto, seus desejos e preferências para o grande encontro com eu filho, a cada mês trazendo mais dicas para te fortalecer para o parto que você deseja e merece.
Você pode contratar um atendimento individual ou um pacote de serviços, como preferir!
Converse com uma doula e aumente sua segurança em relação à gestação, parto e amamentação!



"Rebeca me falou que estava trabalhando com uma equipe legal e nova em Divinópolis, cidade vizinha a minha, e eu topei conhecer. Uma amiga muito querida engravidou na mesma época que eu, então consultávamos juntas e rachávamos o valor do deslocamento da equipe até Lavras, que é onde moramos. 
Fiz pré-natal com um médico que está se humanizando aqui na minha cidade e com a equipe que atenderia meu parto domiciliar. Aqui foi a primeira diferença que eu notei: as consultas com a equipe do PD (parto domiciliar) eram demoradas e tomavam a tarde inteira; elas conversavam não só comigo, mas com o Luciano e com Aurora, tiravam dúvidas, conversavam sobre os meus medos, sobre o que eu queria pra mim e pro meu bebê. Era o tipo de consulta que eu gostaria de ter tido lá em 2010 quando tive Aurora e que a gente não encontra num pré-natal tradicional. Aurora media minha barriga junto com a Fabi (enfermeira obstetra, mas que eu vou chamar de parteira pq não consigo chamar de outro jeito), ouvia os batimentos do bebê, media minha pressão, enfim, ela participava de todo o processo da consulta e também tirava as dúvidas dela. Foi um pré-natal muito gostoso." Aretha, mãe da Aurora e do Dante, Lavras/ MG


terça-feira, 21 de março de 2017

Puerpério


"Se eu pudesse dar só uma informação preciosa para uma mulher que acaba de dar à luz, seria essa: O BEBÊ CHORA O QUE A MÃE CALA.

Como doula pós-parto, como consultora em amamentação ou como mãe que apoia outras mães, eu sempre vejo isso acontecer. Bebês que choram sem parar, tendo peito ilimitado, tendo sling, tendo mãe em tempo integral, tendo banho de ofurô, tendo música clássica e som do útero no YouTube tocando. Eles choram. Sem parar.
Mas não são eles que choram, de verdade. Quem está chorando - por dentro - é a mãe, imersa no caos do puerpério, entre a privação intensa de sono e as dificuldades de amamentar. A mãe cala o choro, e carrega a angústia que dar à luz traz: a responsabilidade eterna de cuidar de outro ser. O fim da mulher que ela conhecia. O nascimento de uma nova mulher que é uma completa desconhecida. Todo o peso que pôr um filho no mundo significa, recai sobre seus ombros. E ela cala. A dor é silenciada, porque quase ninguém compreende verdadeiramente o peso do puerpério.
O puerpério é uma água represada, que cedo ou tarde precisa ser liberada. O bebê são as comportas abertas.
E essa água vem feito um dilúvio! E o bebê vai chorar. Vai chorar a falta de descanso da mãe. Vai chorar a falta de cumplicidade do marido. Vai chorar a avó que ou se ausenta demais ou se intromete demais. Vai chorar as dificuldades de amamentar. Vai chorar o parto que nem sempre sai como o sonhado. Vai chorar o medo de falhar que a mãe carrega. Vai chorar o corpo que se revela tão disforme.
Nunca se diagnosticaram tantos bebês com cólica, com refluxo e com alergias como hoje. Doenças que justificam a mesma coisa: o choro que não cessa. Pode ser que hoje a medicina identifique mais os casos que antes passavam batidos? Pode. 
Mas eu vejo um outro lado também... Nunca a maternidade foi tão solitária como é hoje. 
Antes, quando uma mulher dava à luz, sua mãe, avó, tias, vizinhas, todas se encarregavam de cuidar da nova mãe. Cuidar da casa, cuidar da mulher, cuidar de ajudá-la. Hoje não. 
Parimos (e re-nascemos) e estamos sozinhas. Ninguém lida com nossa bagunça - da casa e da alma. E nossos filhos choram, tudo que nós não temos tempo - enquanto arrumamos o caos externo - para chorar.
Me lembro bem, no puerpério do meu segundo filho, quando eu, nervosa, respondi rispidamente alguma coisa que minha mãe perguntou. Minha mãe, sem entender nada, me perguntou o que estava acontecendo... Eu explodi em lágrimas, e gritei enquanto me afastava pela casa: "puerpério, mãe! Simplesmente, puerpério!"
E eu chorei. Longos dias. Aceitando e acolhendo minhas sombras. Respeitando as dores que o novo puerpério trazia. Conhecendo a mãe completamente nova que nascera com o segundo filho. E quanto mais eu chorava e falava, mais meu bebê se pacificava. E tudo fluía no curso natural: eu libertava meu filho de chorar minha angústia. E ele sorria, livre de ter que falar o que eu calava.
Se seu filho chora, olhe pra você mesma. Olhe para o que dói em você. Pode ser que esse movimento de olhar para dentro cause desconforto. Pode ser que você não consiga se reconhecer. Mas o faça ainda assim.
E chore... o sono, a dor, o parto, o medo, o amor. Tudo isso é intenso demais e grande demais. Precisa ser vivido, falado e, também, chorado.
Peça colo. Se entregue a abraços. Verbalize a dor. Acolha sua fragilidade. 
Cuidar de si própria é a primeira forma de amar o seu filho. Só podemos cuidar do outro quando cuidamos de nós."
Autora: Bruna Estrela

sexta-feira, 17 de março de 2017

Relato do nascimento da Alice - Parto Normal após 3 cesarianas

“Quando engravidei da Alice, já experimentava da delícia de ser mãe da Elysa de 14 anos, Danyel de 13 e Yasmin de 5, que vieram ao mundo através de cesáreas marcadas. Nunca tive uma boa visão sobre o parto normal, fui mal informada sobre o assunto e além de vergonha da exposição, só havia ouvido testemunhos de muita dor e desrespeito.

No terceiro mês de gestação da Alice, fui submetida a uma cirurgia de apêndice, senti muitas dores na recuperação e por conta disso,  comecei a pensar em trazer essa criança ao mundo de uma maneira que eu não “entrasse na faca” novamente. O meu desespero era ter que passar por mais uma cirurgia.

Conversei com o meu ginecologista e de cara ele me tirou qualquer possibilidade de ter um parto normal. Disse que o risco de morte era alto por causa das cesáreas anteriores (poderia ocorrer ruptura uterina). Comecei então a ler a respeito e buscar informação sobre a possibilidade de um parto natural após 3 cesáreas. Li muitos relatos de mulheres que conseguiram parir após 2 cesarianas. Porém, achei poucos relatos de parto normal após 3 cirurgias.

Com 32 semanas de gestação eu estava ciente de que nenhum médico toparia essa aventura comigo e para piorar a situação, agora eu conhecia os riscos de uma quarta cesárea, pois estudei muito a respeito. Fiquei noites sem dormir. Entrei em desespero, só chorava e chorava, pensava que ia morrer no parto! Rsrs.

Com 35 semanas minha igreja organizou um chá de fraldas para Alice e lá encontrei uma amiga que havia tido suas duas filhas de parto normal, Paula Charchar, que me perguntou assim:” Você não vai parir nenhum?” Achei muito engraçado essa pergunta, mas a minha resposta não podia ser outra:”Não posso, porque fiz 3 cesarianas e posso morrer!”. Ela insistiu:” Pode sim! Vai morrer nada! Minha irmã é doula e já acompanhou vários partos assim. Conheço um médico que vai topar.” Passou-me o contato dele: dr. Frederico Bravin.

No outro dia, tentei marcar uma consulta, mas a agenda dele estava cheia e eu estava desesperada para saber se ele me daria apoio. Consegui o celular dele e pedi para ele me atender. A princípio, ele disse que não pegava paciente com gestação tão avançada, mas que tiraria todas as minhas dúvidas no consultório. Minha primeira consulta foi com 36 semanas. Foi uma longa consulta, tinha muitas dúvidas. Saí de lá muito confiante de que eu era capaz de parir. Eu era capaz de romper com a timidez e o medo da dor também!

Logo liguei para a Rebeca Charchar e pedi o apoio dela como doula, apoio que foi essencial para mim. Todavia, Rebeca mora em Minas Gerais e eu no Espírito Santo. Passei as últimas semanas me fortalecendo, conversei muito com Rebeca, ouvi vários relatos.

Meu esposo estava uma pilha, achava muito arriscado, pois estava comigo em todas as vezes que fui desencorajada pelos médicos. Tentou me fazer desistir a todo custo. Minha família não sabia do nosso plano de tentar o parto normal. Aliás, quase ninguém sabia. Percebi que ouviria muitas palavras de desencorajamento, portanto guardei meu novo sonho no meu coração. Somente quem estaria comigo no grande dia sabia. Eu mesma, desencorajei várias pessoas que queriam ter um parto normal, sempre tive horror! Minha família perguntava se eu já havia marcado a cesa e eu nunca menti. Apenas dizia que não.

Então chegou o grande dia: 05/07/2015! Com 39 semanas e 4 dias, por volta de 1 hora da manhã senti as primeiras contrações. Foram 3 contrações de 10 em 10 minutos e já engataram as contrações ritmadas de 5 em 5 minutos, com duração de 33 a 38 segundos. Tomei banho e liguei para Rebeca que havia chegado na minha cidade no dia anterior. Liguei para o dr. Frederico. Ás 3:50 da manhã, peguei a Rebeca e a minha sogra e fomos para o hospital, pois o meu médico já havia orientado acerca de passar todo o trabalho de parto no ambiente hospitalar, sendo monitorada.

No caminho as contrações ficaram mais rápidas e fortes, eu já não aguentava marcar e me lembro de ter passado no pedágio aos berros, com a Rebeca sempre me apoiando com massagem. Estava sem posição, a barriga endurecia muito e a cólica era fortíssima. Chegamos no hospital às 5:50 e percebi que no trabalho de parto não existe timidez. Agachei na recepção do hospital de tanta dor. Tive várias contrações enquanto a recepcionista fazia aquela ficha interminável. Fui atendida pelo Dr. Frederico, que chegou logo depois. Eu estava com 4 cm de dilatação e colo 50% apagado.

As contrações foram espaçando. Então fui para sala de parto e descansei um pouco. Cochilava e acordava com contrações e a Rebeca sempre ali do meu lado. As contrações vinham de 8 em 8 minutos. Almoçei as 11:45 hs e depois andei muito pelo hospital, conversei e ri muito entre uma e outra contração. Usei o chuveiro, a bola. Meu esposo ficou no quarto, vinha me ver  e voltava para o quarto. Estava muito ansioso. Fui examinada novamente às 13:30 hs, o dr. Frederico encontrou um colo com 7 cm e sugeriu um descolamento de membranas para regularizar as contrações. Olhei para Beca e ela me encorajou. A tarde seguiu e as contrações vinham de 7 em 7mn. Aproveitei cada momento do meu TP, a companhia da Beca que me ofereceu apoio, carinho, massagens.

Chegou as 17:30 hs e nada! Contrações espaçadas e o Dr. Frederico sugeriu romper a bolsa. Topei e aí as contrações engrenaram de vez! Às 18:10 hs fui para o chuveiro, contrações de 6 em 6 min, tão fortes que a única posição que eu me sentia confortável era sentada na bendita banqueta. Por volta das 18:45 hs, as contrações ficaram ainda mais intensas e de 5 em 5 minutos. Eu estava ajoelhada, no chão do banheiro ouvindo meu corpo. Ás 19:05 estavam de 4 em 4 min. Aí meu Deus! Estava cada vez mais perto! Sentia-me forte e determinada, mal podia acreditar, que estava vivendo algo tão intenso e amoroso ao mesmo tempo!

Ás 20:30 hs estava com contrações de 3 em 3 min. Mal aguentava levantar e já não tinha posição suportável. Então Beca encheu a banheira. Apesar das contrações fortes, consegui relaxar um pouco na banheira, mas a dor já estava imensa. Estava literalmente “ vendo a avó pela greta”. Recebi muito apoio de Beca e Dr Frederico, sugerindo métodos de alívio, vocalizes, etc. Nunca havia sentido algo parecido. Acreditava que pela intensidade ia parir ali mesmo, na água e nos próximos minutos. Não sabia que algumas horas ainda me aguardavam... rsrsrs.

Já eram quase 22 hs e meu médico disse que a água quente havia me relaxado demais, a ponto de espaçar novamente as contrações, apesar da intensidade da dor não ter diminuído. Então saí da banheira e veio uma contração tão forte que não aguentei ficar de pé e não dava tempo de chegar na cama. Dr. Frederico sugeriu agachar e ficar numa posição de acocoramento puxando um lençol. Pensei: “será que essa menina vai nascer no chão?” Meu Deus, que dor! Gente vocês não têm noção da vergonha que eu tenho de ficar exposta, mas quando a dor vem, você nem lembra o que é vergonha.

Quando passou, corri para cama toda molhada e veio outra. Senti sair algo e Beca chamou o Dr, que havia ido se trocar, me examinou e observou um edema e o reduziu. Nesse momento começaram os puxos. Dr. Frederico sempre monitorava o coraçãozinho da Alice. Foram 30 min de puxos. Esse é o momento onde a razão se vai e pedi analgesia, cesárea, qualquer coisa para aliviar. O meu médico sempre  calmo, me incentivando, dizendo que estávamos indo muito bem e já estava quase acabando. Concentrei-me e fiz força, aliás o corpo parecia fazer a força mesmo que eu não quisesse. A natureza é perfeita mesmo! A sala de parto estava numa movimentação só, mais eu não via ninguém. Alice estava chegando...
        
Ela estava em meus braços às 22:47 hs. Tão quentinha, pele a pele. Nunca senti algo parecido! Renasci junto com Alice! Minutos depois ainda estava estática, sem acreditar no que eu tinha vivido, olhando pra ela tão gordinha! Estava chupando os dedinhos. Então dei de mamar. Não conseguia rir ou chorar. Fiquei na verdade processando as últimas horas, até que permiti que levassem ela para pesar e medir. Hoje, 4 meses depois, ainda me pego revivendo meu trabalho de parto. Foi realmente uma viagem alucinante!
        
Não há como deixar de mencionar o quanto o parto natural é melhor. As pessoas sempre perguntam: “e a dor?” Preparei-me para isso, apesar de não ter dimensionado a dor do expulsivo. Mas quando você acha que não vai aguentar, que chegou no limite, já está nascendo e depois você está novinha em folha! Pronta para outra e com seu bem mais precioso nos braços! Rsrsr. Aliás, não no meu caso, porque já tenho 4 filhos!”

 


 

 






 


         Por Merielen Barreto
 
Postagem original: http://maternidadecomamor2015.blogspot.com.br/2015/11/relato-do-nascimento-da-alice-parto.html

quarta-feira, 15 de março de 2017

Relato: VBA2C Pélvico - Parto normal após duas cesáreas - Bebê sentado

parto humanizado apos cesareas priscila alice

A enfermeira Priscila Israel teve seus dois primeiros filhos por cesárea. Durante a faculdade, ela presenciou muitos partos normais e todos com muitas intervenções e casos de violências obstétricas de todos os tipos, o que a fez optar pela cesárea nas primeiras gestações. "Gabriel teve diagnóstico de pneumonia congênita e sepse ao nascer e ficou 20 dias no CTI neonatal. Já o Miguel nasceu bem e, após algumas horas, foi para o quarto. Mas, depois de algum tempo, comecei a questionar o nascimento dos meus filhos, via as fotos e achava tudo muito frio, ficava muito triste com isso", lembra.
Foi então que ela começou a ler sobre parto humanizado. Assistiu também ao documentário "O Renascimento do Parto" e diz ter se tornado uma ativista. "Quando alguma amiga engravidava, eu sempre falava de parto normal e tentava ajudar na escolha de alguma forma", conta.
Até que chegou a vez dela. Depois de usar DIU por cinco anos, ela tirou quando venceu e resolveu esperar a menstruação normalizar para se decidir se colocava novamente o DIU ou mudava de método. Três meses depois, descobriu a gravidez. "Eu e meu marido ficamos surpresos e assustados no começo, mas sempre desejamos e falamos que esse filho era muito bem-vindo. Eu comecei a estudar muito sobre parto normal após cesárea e vi que minha luta não seria fácil. Meu marido estava com uma viagem marcada para a data provável do nascimento do bebê e possivelmente não estaria comigo no dia, o que me deixou bem insegura no começo, mas depois relaxei quanto a isso e continuei minha busca", conta.
parto humanizado depois de cesareas priscila filhos
Depois de ter dois filhos por cesárea, Priscila optou pelo parto humanizado na terceira gestação


Acompanhamento pré-parto
Com 17 semanas de gestação Priscila procurou a doula Rebeca Charchar. "Ela foi muito acolhedora e me deu uma injeção de ânimo. Comecei a participar de um grupo virtual sobre o tema e de encontros presenciais no Ishtar (grupo de apoio à gestação e ao parto ativo no Brasil), além de ler relatos e assistir vídeos. Como moro no interior de Minas Gerais, onde não teria assistência, procurei um médico em Belo Horizonte, que foi muito otimista em relação ao meu caso, falou dos riscos do parto e da terceira cesárea. Eu e meu marido sentimos confiança nele e também no hospital onde decidimos que nossa filha Alice nasceria, o Sofia Feldman, que é público e atende 100% pelo SUS", explica.
Mas um ultrassom mostrou que o bebê estava em posição pélvica e, se não virasse, não teria chances de fazer parto normal. Priscila começou então a fazer hidroginástica, pilates e exercícios em casa que pudessem ajudar na virada, o que não aconteceu. Na consulta seguinte, o medico falou da possibilidade de fazer o parto pélvico ou, ainda, de tentar a versão cefálica externa (VCE), uma manobra não invasiva que é feita para tentar virar o bebê para a posição cefálica. Deu tudo certo, o bebê virou, mas logo retornou à posição de antes. "Tentamos pela segunda vez a VCE e ela não virou. Eu desmoronei, tive medo de perder meu tão sonhado parto. Ter que passar pela terceira cesárea era desesperador. Intensifiquei minha maratona de exercícios , acupuntura, auriculoterapia e cambalhotas na água, mas foi tudo em vão. Então estudei muito sobre parto pélvico e fui me fortalecendo, no final já me sentia preparada e segura para enfrentar esse medo", afirma.

Parto pélvico humanizado

Além do acompanhamento da doula, Priscila contou também com o apoio da enfermeira obstétrica Fabiana Rocha, que a atendeu sempre que precisava, principalmente quando começou a sentir as primeiras contrações, orientando sobre cada fase, até que o dia do parto chegou. "Meu marido estava viajando. Liguei para minha comadre que ia ficar com meus filhos mais velhos e para minha amiga Andreza que ia me acompanhar para tirar as fotos. Minha mãe já estava na minha casa e foi comigo também, além da Fabiana e da Rebeca", conta.
parto humanizado priscila contracoes
Com a doula, durante o trabalho de parto
Elas chegaram à maternidade ainda de manhã. Foi quando a enfermeira viu que a bolsa tinha rompido e havia presença de mecônio, que é o primeiro cocô que o bebê faz. O médico avaliou e falou que, nessas condições, a indicação seria cesárea. "Comecei a chorar desesperada! Entrei para o pré-parto com a doula e minha mãe, fiz alguns exercícios na bola, dei uma volta num espaço que tem no hospital e, quando voltei, já estava com quatro centímetros de dilatação e batimentos cardíacos regulares, o que foi tranquilizador. No meio da tarde as dores ficaram mais fortes, pedi para o médico fazer uma leve analgesia e ele concordou, mas acabou não dando tempo. Quando ele fez o toque, viu que os pezinhos dela já estavam para fora do colo e que eu já estava com dilatação completa. Fomos então para a sala de parto, fui direto para o chuveiro, sentada numa banqueta, com contrações muito fortes, até que os pezinhos saíram. Fiquei acariciando, ainda sentindo muitas dores fortes, até que saíram a perninha e a coxa. O médico então pediu que eu deitasse, para que ele fizesse algumas manobras para soltar os bracinhos dela, o que eu não queria, pois estava bem na banqueta. E não gostei, doeu muito mais e ela poderia ter nascido mesmo sem isso. Mas o importante é que Alice nasceu às 16h41, muito bem, linda, veio para meus braços quentinha ainda, ficamos nos olhando, nos conhecendo, por mais ou menos uma hora, o que foi muito emocionante. Só depois desse tempo autorizei que ela fosse pesada e medida, mas não autorizei alguns procedimentos, o que foi respeitado sem nenhum questionamento. Fiquei muito feliz por ter conseguido ter minha filha do jeito que sonhei", relata.

Vantagens do parto humanizado


Priscila com a mãe e a filha
Segundo o ginecologista e obstetra Alberto Jorge Guimarães, o objetivo principal desse tipo de parto é atender às necessidades da mulher, aguardando que o trabalho de parto aconteça de forma espontânea, na data do bebê, e, durante o nascimento, evitar que a mulher fique deitada o tempo todo, permitindo que ela ande, agache, faça uso de água, massagem e outras estratégias que diminuam o desconforto. Ele diz ainda que as vantagens do parto humanizado são muitas. "Desde o nascimento na data do bebê, com menos riscos de prematuridade e de patologias respiratórias na primeira infância, até a recuperação da mãe, a sensação de poder que implica parir seu próprio filho, e as facilidades no cuidar, amamentar, etc", afirma.
Priscila destaca também a importância da gestante se empoderar, estudar, estar ciente de tudo o que está acontecendo com ela e não deixar a decisão na mão de outras pessoas. "As mães, em busca do melhor para os filhos, acabam acatando o que alguns médicos dizem sem questionarem, e a cesárea muitas vezes é indicada só porque é mais cômodo para os médicos, já que tem hora marcada e não precisa ficar esperando a hora do bebê. Mas é meu corpo, sou eu quem decido", finaliza.


Priscila e Alice aos seis meses

Fonte: http://www.vix.com/pt/bdm/bebe/mae-relata-luta-emocionante-para-ter-filha-por-parto-humanizado-apos-duas-cesareas

Repostagem autorizada.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Conheça os riscos de uma cesariana desnecessária

Fonte: http://www.blog.saude.gov.br/
Na hora do nascimento do filho, muitas mulheres abrem mão do parto natural e escolhem a cirurgia cesariana por ser rápida e indolor. Mas essa opção aumenta o risco não só de uma infecção, mas de várias complicações pós-parto, conforme enumera a coordenadora da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela.
"Infecção, o risco de hemorragia aumentado, o risco do ato anestésico que pode dar aí morte pela anestesia ou morbidade pela anestesia e os riscos em longo prazo de aderência, de acretismo placentário que é a placenta grudar no útero e também placenta prévia e de endometriose que são riscos inerentes à cesárea, principalmente, cesáreas de repetição, risco aumentado para o próximo parto e problemas com a fertilidade."
A coordenadora de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, afirma também que o parto cesariana traz riscos para a relação da mãe com o bebê: "Porque uma cesariana dificulta o vínculo inicial mãe e bebê, dificulta a descida do leite, o contato pele a pele e a amamentação. Então, ela tem mais risco de ter problemas na amamentação e no vínculo mãe e bebê, riscos maiores de ingurgitamento mamário."
A cirurgia cesariana foi a escolha da contadora, Silvia Cimas, mas ela conta que não pretende ter outro filho por esse método."Eu não quero mais por experiência também de colegas que tiveram filhos no mesmo período que eu, elas tiveram uma recuperação muito mais rápida, ficaram já bem pra fazer a amamentação, enquanto eu demorei mais. Aquele medo que eu tinha inicialmente foi todo caído por terra, pra mim, é o seguinte, o parto normal é a melhor opção pra mulher. Quero experimentar, acho que vai ser mais sadio e para meu filho ou filha."
Ainda de acordo com a coordenadora da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, em algumas situações, a cesariana é única via de parto permitida para salvar a vida da mãe ou do bebê. Mas, em circunstâncias normais, o parto natural sempre será a melhor opção para a mulher e o recém-nascido.

segunda-feira, 6 de março de 2017

8 de Março no Sofia

No dia internacional da luta pelos direitos das mulheres estaremos mobilizadas pelo Hospital Sofia Feldman, a maior maternidade do Brasil, referência internacional no reconhecimento dos direitos da mulher, do bebê e da família num dos momentos mais significativos de suas vidas: o parto e o nascimento.


Haverá uma grande Mobilização neste dia 8 de março na porta do Hospital Sofia Feldman. A ideia é ter a presença de muitas mulheres e imprensa para chamar atenção para a grave situação financeira do hospital, que corre o risco de fechar as portas, deixando de atender milhares de mulheres e empregar dezenas de funcionários que já não estão recebendo em dia! O objetivo é mostrar a importância do Sofia para nós, sensibilizar e cobrar dos governos municipal, estadual e federal uma solução urgente para o déficit mensal de quase um milhão de reais.







sábado, 4 de março de 2017

Vídeo: A importância da doula




Você sabe o que uma doula faz durante o trabalho de parto? Ela é indispensável tanto para a mulher quanto para o marido que a acompanha. Ela traz conforto físico e psicológico. Diminui as dores por meio de métodos não farmacológicos. Mas, ao contrário do que muitas pessoas falam, as doulas NÃO "fazem" o parto. Na verdade, é você quem faz, e quem a acompanha são as parteiras ou as médicas. As doulas têm um outro papel. Quer entender melhor? Assista ao vídeo! Nele, várias mulheres que pariram naturalmente, contam a importância da doula no trabalho de parto. Veja, tire suas dúvidas, compartilhe! ;)

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Este vídeo foi feito pela Instinto Fotografia e Filme. Conheça mais: www.instintofotografia.com.br

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"Desnecesárea" a vista

Conhecendo o cenário nacional, como você identifica que sua amiga - que diz querer parir - vai acabar na cesárea?
1 - Ela não tem tempo de ir aos grupos de apoio gratuitos
2 - Não participa de nenhum grupo virtual
3 - Tem preconceito do SUS que dá certo
4 - Confia cegamente no médico do convênio com taxa de 95% de cesárea (mas ela vai parir com ele)
5 - Não acha justo pagar pela disponibilidade da equipe
6 - Tem certeza de que no parto dela vai ser tudo diferente
7 - Escolheu o local de parto baseando-se em critérios inadequados (localização, beleza, conforto), mesmo sabendo que lá a taxa de cesárea e de partos violentos é alta.
8 - Ela gostaria mas o marido não apoia contratar equipe (médico humanizado, doula e enfermeira obstetra)
9 - A mãe e a sogra tiveram cesáreas e estão vivas até hoje (SIC)
10 - Todas as amigas, primas, irmãs tiveram cesáreas e não sentiram nada, logo não deve ser assim tão ruim
11 - Nunca ouviu falar de plano de parto baseado em orientações da OMS
12 - Não visitou o local de parto ou visitou e não fez perguntas sobre os protocolos obstétrico e neonatal
13 - Acha as doulas um bando de %$&*¨%$#
14 - Conhece alguém que teve um mau desfecho e com certeza foi culpa do parto humanizado
15 - Tem certeza de que vai dar tudo certo, se Deus quiser.
16 - Não sabe a diferença entre parto normal e humanizado.
17 - Diz que vai ficar em casa o máximo de tempo e chegar parindo na maternidade mais próxima.



sábado, 21 de janeiro de 2017

Dicas de doula para o sucesso da amamentação

Em meu trabalho apoiando amamentação há tantos anos aprendi algumas coisas e observei outras que quero compartilhar com vocês, especialmente as gestantes que querem ter uma amamentação de sucesso.
1 - Durante a gestação não se preocupe em passar nada nos seios, procure frequentar grupos de apoio virtuais e presenciais, ir a encontros esclarecedores sobre o tema, ver mulheres amamentando.
2 - Marque uma consulta com uma apoiadora da amamentação para tirar da sua cabeça grilos, mitos, medos. Pode ser fono, enfermeira, doula, fisio, pediatra, obstetra, mas tem que acreditar e apoiar de verdade!
3 - Privilegie o parto normal! Além de o bebê nascer na hora certa, mais pronto para respirar e mamar, a mãe estará mais hígida e ativa para escolher posições e interagir com seu filho!
4 - Após o nascimento deixar o bebê em contato pele a pele na primeira hora de vida, sem interferências dolorosas (vacinas, injeções, exames, banho, limpeza, colírio, aspiração) de rotina.
5 - Em caso de cesárea escrever um plano de atendimento pedindo para que a recuperação anestésica seja junto com o bebê. A separação de mãe e bebê por poucos minutos já tem reflexos negativos, imaginem por horas!
6 - Tenha uma rede de apoio eficiente: ajuda com a casa, roupas, comida, encorajamento para permanecer amamentando.
7 - Um telefone pra pedir socorro: sua doula, sua enfermeira, sua amiga que amamentou, sua mãe que sabe que isso (seja o que for! rs) é normal e vai passar!
8 - Não tenha em casa nada que atrapalhe a amamentação: bico, mamadeira, leites artificiais, conchas, intermediários de silicone. No momento de desespero uma chuveirada com o bebê no colo faz milagres!
9 - Em caso de dor por sensibilidade e fissura mamilar não queira soluções mágicas. Aposte em correção da pega, retirar barreiras entre mãe e bebê, passar seu leite, sol e vento! O tempo cuida do restante!
As histórias de amamentação às vezes começam com percalços, converse com outras mulheres! Sua historia também vai ser linda, confie em você, em seu leite, se aproprie dessa tarefa que não é só nutrição, é amor, aconchego e proteção! <3 span="">

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Pesquisa Nascer no Brasil

A pesquisa Nascer no Brasil foi realizada em todo o Brasil, um total de 23.894 mulheres entrevistadas.
Dessas mulheres:

60% iniciou o pré-natal após 12 semanas gestacionais
Apenas 59% conheceu e se vinculou à sua maternidade de referência
20% passou por mais de um serviço antes de ser admitida para o parto
No Sul e Sudeste as maternidades do SUS apresentam estrutura igual ou melhor do que as maternidades privadas
Grande parte das mães e bebês foi exposta riscos evitáveis e desnecessários
52% das mulheres brasileiras deu à luz por cesariana, 88% das quais em maternidades privadas
80% dos partos ocorreu com financiamento do SUS
A maioria das mulheres que deu à luz por parto vaginal não teve assistência adequada, humanizada, sendo atendida em um modelo de atenção extremamente medicalizado, que ignora as evidências.
A maioria ficou deitada, em jejum, deu à luz em litotomia, com episio e manobra de Kristeller.
Apenas 20% teve presença irrestrita de acompanhante em todo o período de internação.
Apenas 15% das mulheres com cesariana anterior teve parto normal na gestação seguinte.
Apenas 20% das mulheres que desejam parto normal desde o início da gravidez conseguiu efetivamente parir
Apenas 5% teve parto natural
Apenas 15% teve parto com enfermeiros obstetras

Fonte:
http://www6.ensp.fiocruz.br/nascerbrasil/principais-resultados2/

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Amamentação, direito fundamental!





Fonte das imagens: https://www.facebook.com/assembleiademinas/
Texto da lei abaixo!

Dispõe sobre o direito ao aleitamento materno nos estabelecimentos de uso coletivo, públicos ou privados.
O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS,
O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu, em seu nome, promulgo a seguinte lei:
Art. 1º – É assegurado à lactante o direito de amamentar nos estabelecimentos de uso coletivo, públicos ou privados, em local de sua escolha, ainda que, nesses estabelecimentos, estejam disponíveis locais exclusivos para a amamentação.
Art. 2º – Proibir a amamentação ou criar situação de constrangimento para a lactante sujeitará o estabelecimento de que trata esta lei à multa de 300 Ufemgs (trezentas Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais).
Parágrafo único – No caso de reincidência, o valor da multa a que se refere o caput será de 600 (seiscentas) Ufemgs.
Art. 3º – Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, aos 21 de dezembro de 2016; 228º da Inconfidência Mineira e 195º da Independência do Brasil.
FERNANDO DAMATA PIMENTEL

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Venha ser doula!


As 50 Intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto

(por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)

1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífilis – VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B – AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).
2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).
3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.
4) Ultrassonografias sem indicação clínica.
5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das “Indicações das desnecesáreas).
10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.
11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.
12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.
13) Restringir a escolha do local de parto.
14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.
15) Internação precoce.
16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.
17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.
18) Toque Retal.
19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).
20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.
21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.
22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.
23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).
24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.
25) Uso rotineiro de analgesia de parto.
26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.
27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).
28) Puxos precoces (treinar fazer “a” força, antes que a mulher possa sentir os puxos).
29) Puxos dirigidos (“faça força agora”, “força comprida”, etc).
30) Manobra de Valsalva (orientar a “trincar os dentes e fazer força”).
31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.
32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/”só uma ajudinha”.
33) Manobra de “divulsão” perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.
34) Episiotomia.
35) Não permitir o nascimento espontâneo.
36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.
37) Sutura rotineira das lacerações.
38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).
39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.
40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.
41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.
42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.
43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.
44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).
45) Levar bebês saudáveis para o berçário.
46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.
47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.
48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.
49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.
50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.