quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Atendimento ao Parto Normal



A) Condutas que são claramente úteis e que deveriam ser encorajadas
1. Plano individual determinando onde e por quem o parto será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação, e comunicado a seu marido/ companheiro e, se aplicável, a sua família.
2. Avaliar os fatores de risco da gravidez durante o cuidado pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto e parto.
3. Monitorar o bem-estar físico e emocional da mulher ao longo do trabalho de parto e parto, assim como ao término do processo do nascimento.
4. Oferecer líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto.
5. Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações.
6. Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante.
7. Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto.
8. Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto.
9. Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto.
10. Oferecer às mulheres todas as informações e explicações que desejarem.
11. Não utilizar métodos invasivos nem métodos farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto e parto e sim métodos como massagem e técnicas de relaxamento.
12. Fazer monitorização fetal com ausculta intermitente.
13. Usar materiais descartáveis ou realizar desinfeção apropriada de materiais reutilizáveis ao longo do trabalho de parto e parto.
14. Usar luvas no exame vaginal, durante o nascimento do bebê e na dequitação da placenta.
15. Liberdade de posição e movimento durante o trabalho do parto.
16. Estímulo a posições não supinas (deitadas) durante o trabalho de parto e parto.
17. Monitorar cuidadosamente o progresso do trabalho do parto, por exemplo pelo uso do partograma da OMS.
18. Utilizar ocitocina profilática na terceira fase do trabalho de parto em mulheres com um risco de hemorragia pós-parto, ou que correm perigo em consequência de uma pequena perda de sangue.
19. Esterilizar adequadamente o corte do cordão.
20. Prevenir hipotermia do bebê.
21. Realizar precocemente contato pele a pele, entre mãe e filho, dando apoio ao início da amamentação na primeira hora do pós-parto, conforme diretrizes da OMS sobre o aleitamento materno.
22. Examinar rotineiramente a placenta e as membranas.
B) Condutas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas
1. Uso rotineiro de enema.
2. Uso rotineiro de raspagem dos pelos púbicos.
3. Infusão intravenosa rotineira em trabalho de parto.
4. Inserção profilática rotineira de cânula intravenosa.
5. Uso rotineiro da posição supina durante o trabalho de parto.
6. Exame retal.
7. Uso de pelvimetria radiográfica.
8. Administração de ocitócicos a qualquer hora antes do parto de tal modo que o efeito delas não possa ser controlado.
9. Uso rotineiro da posição de litotomia com ou sem estribos durante o trabalho de parto e parto.
10. Esforços de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o período expulsivo.
11. Massagens ou distensão do períneo durante o parto.
12. Uso de tabletes orais de ergometrina na dequitação para prevenir ou controlar hemorragias.
13. Uso rotineiro de ergometrina parenteral na dequitação.
14. Lavagem rotineira do útero depois do parto.
15. Revisão rotineira (exploração manual) do útero depois do parto.
C) Condutas freqüentemente utilizadas de forma inapropriadas
1. Método não farmacológico de alívio da dor durante o trabalho de parto, como ervas, imersão em água e estimulação nervosa.
2. Uso rotineiro de amniotomia precoce (romper a bolsa d’água) durante o início do trabalho de parto.
3. Pressão no fundo uterino durante o trabalho de parto e parto.
4. Manobras relacionadas à proteção ao períneo e ao manejo do polo cefálico no momento do parto.
5. Manipulação ativa do feto no momento de nascimento.
6. Utilização de ocitocina rotineira, tração controlada do cordão ou combinação de ambas durante a dequitação.
7. Clampeamento precoce do cordão umbilical.
8. Estimulação do mamilo para aumentar contrações uterinas durante a dequitação.
D) Condutas freqüentemente utilizadas de modo inadequado
1. Restrição de comida e líquidos durante o trabalho de parto.
2. Controle da dor por agentes sistêmicos.
3. Controle da dor através de analgesia peridural.
4. Monitoramento eletrônico fetal .
5. Utilização de máscaras e aventais estéreis durante o atendimento ao parto.
6. Exames vaginais freqüentes e repetidos especialmente por mais de um prestador de serviços.
7. Correção da dinâmica com a utilização de ocitocina.
8. Transferência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto.
9. Cateterização da bexiga.
10. Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa ou quase completa, antes que a própria mulher sinta o puxo involuntário.
11. Adesão rígida a uma duração estipulada do segundo estágio do trabalho de parto, como por exemplo uma hora, se as condições maternas e do feto forem boas e se houver progresso do trabalho de parto.
12. Parto operatório (cesariana).
13. Uso liberal ou rotineiro de episiotomia.
14. Exploração manual do útero depois do parto.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O renascimento do parto


A cesariana desnecessária é inofensiva? Existe parto normal sem sofrimento?
Este é o teaser de um vídeo vai mostrar um pouco da nossa realidade obstétrica e das consequências das elevadas taxas de cesáreas no Brasil.

Parto natural com doula

Relato de parto – Isabel e Bianca Faria – 30/03/2009



Tudo começou na sexta-feira, dia 27/03, na consulta pré-natal. Após reclamar de contrações constantes fui examinada e meu GO confirmou que Bianca estava já começando a descer e eu dilatada 1 cm. Ele, conhecendo meus históricos anteriores, disse que tudo indicava que o parto seria no fim de semana. O Vi veio rapidinho pra casa assim que eu disse que durante a madrugada tinha perdido um pouco de sangue e tido algumas contrações dolorosas.

Pela manha liguei pra Rebeca doula que disse que eu estava provavelmente na fase latente do trabalho de parto, e então ela me sugeriu tomar um pouquinho de vinho (boa ideia rs) e tentar dormir um pouco, que se ainda não fossem as contrações do trabalho de parto ativo mesmo elas iriam cessar. E foi o que aconteceu, eu dormi por duas horas naquela tarde de sábado.

Durante a noite tudo tranquilo, mas no domingo quando foram as 07:00 hrs. comecei a ter contrações novamente, leves, quase que indolores, tanto que não me incomodavam em nada. Liguei novamente pra Rebeca, a encontramos na sua casa e fomos pro hospital. Fui examinada e estava com 3 cm de dilatação, neste momento recebi a carta de internação, mas como estava cedo para isso a Rebeca prontamente me ofereceu sua residência pra “progredirmos” o trabalho de parto. Eu aceitei, e o Vi confiou eu e Bia à “Anja” Rebeca, que cuidou muito bem de mim em todos momentos, uma santa paciência. Fiz exercícios na bola, tomei chá de gengibre e fizemos escalda-pés também no chá de gengibre, com direito a massagem nos “pezinhos” rs.

Fomos caminhar, eu, Rebeca e seus dois filhotes na praça de Divinópolis, naquele momento as contrações começaram a ficar mais doloridas e já ritmadas. Chegamos em casa, em seguida o Vi e minha mãe chegam também, e ficamos batendo papo na cozinha após um gostoso lanche.

Aí comecei a sentir dores, brincava a cada contração, meio que “braço de guerra” com um pano que a Rebeca enrolou, as vezes com minha mãe, com Vi, com Rebeca.... Foi quando a Rebeca, experiente, percebeu que ali eu já estava sentindo mais e mais.... Me sugeriu um banho, e que eu sentasse na bola debaixo do chuveiro. Gente, incrivelmente isso realmente é muito relaxante! Ela entrou no banho comigo, me fez massagem e conversava carinhosamente comigo.

Fui pro quarto, fiquei com uma roupa leve, me deitei com musiquinha relaxante pacas e sendo paparicada por todos, até minha “Doulinha” Alice, filhinha de três aninhos da Rebeca hehe, coisa linda!

Bem, neste momento as contrações embalaram de vez, doía tanto, mas a cada uma contração eu recebia carinho e pensamento positivo, que estava chegando a hora. Em um determinado momento de repente, as contrações ficaram de 2 em 2 minutos, eu comecei a sentir uma pressão maior, muita dor, e disse que era o momento de irmos pro hospital, cheguei lá já desesperada de tanta dor. Sabe aqueles filmes que as mulheres chegam desesperadas no hospital? Assim eu estava! O médico me examinou e eu estava com 9 cm! Mas minha bebê estava alta e a bolsa íntegra ainda!

Fui pro chuveiro e, embora com muita resistência minha em não me exercitar, a Rebeca disse que eu teria que me acocorar pra Bia descer de fato. Então o Vi entrou comigo, de bermuda jeans e tudo, e me ancorava...

O chuveiro me acalmou... tranquilizou. Fui então pra cama, e examinada novamente, chegamos aos 10 cm, o GO e a Rebeca então disseram, que só dependia de mim! Mas eu não conseguia, fazia e fazia força e nada de sentir a tal pressão no “fiofó”, só sentia dores insuportáveis. Fiquei neste estágio por uma hora mais ou menos e não conseguia, eu já não tinha mais forças, não conseguia me concentrar, eu pedia analgesia desesperadamente, doía muito, me senti meio incapaz sabem?

Foi quando percebi que a Rebeca e o médico saíram do quarto por um minuto, foi quando o GO disse que teria de estourar minha bolsa, seria uma pequena intervenção só pra me ajudar pois a Bia não descia de fato por conta da bolsa que ainda estava íntegra. Fiquei boba, pra mim ela já tinha sido rompida naturalmente há muito tempo, que nada, estava inteirinha! Aceitei, mas quando o médico veio com aquele “espetão de churrasco” confesso que me assustei, mas me explicou que seria rápido e como um toque vaginal mesmo. Então me acalmei e aceitei!

A bolsa rompida, Bia desce imediatamente, o médico forra meu corpo pra chegada da Bia, naquele momento pensei, é chegada a hora mesmo, não tem como voltar atrás! Ai eu fazia a força e já sentia a pressão no “fiofó”, mas não acertava como fazê-la, a tal força comprida que tanto falavam ao meu ouvido. Foi quando a Rebeca tirou da sua bolsa um objeto mágico que pra mim fez a diferença: um espelho, o “espelho mágico”, e ela me mostrou a cabecinha da minha princesa. Neste momento veio-me literalmente a força do útero, e soltei um grito de brava e outro de dor altíssimo no hospital, senti queimar tudo ali embaixo, senti a cabecinha da Bia passar e em seguida seu corpinho, e ouvi seu chorinho alto, forte e saudável. Quando colocaram sobre meu peito não sabia se eu chorava, se ria, meu instinto então foi de acalentá-la, dar carinho, dar atenção, dar o tal sonhado peito no momento do nascimento! E assim fiz e me ajudaram a fazer! Ao olhar pros lados, ver minha mãe e meu marido chorando emocionados, me beijando, acariciando, e de repente sinto duas mãozinhas suaves tocar meu rosto olhar nos meus olhos e dizer: “Bel você conseguiu fazer melhor!”, era a Rebeca que fez a diferença no momento que eu mais me senti acuada!

Todos procedimentos pediátricos foram feitos ali, com a Bia no meu colo e sendo explicados o porquê, coisas que eu nem sabia que faziam com nossos bebês! Levei alguns pontos por conta da laceração de segundo grau que tive. Bia nasceu com apgar 9 e 10, pesando 2,900 kg com 48 cm, com 37 semanas e 4 dias, igual ao irmão, nasceu em 30/03/2009 às 03:03 da manha!

O que dizer da minha princesa? Ela é linda, tem a “xoxotinha” mais gordinha e linda que já vi rs. Seu rostinho é bem angelical, pequena e delicada! Sua personalidade é super calma, só fica mais nervosinha na hora do mamar! Tô apaixonada por ela assim como os irmãos!

O que dizer da minha recuperação, por enquanto tranquila, ainda com incômodos dos pontos da laceração, que acredito eu que a partir de amanhã começam a melhorar de fato. Estou com sérios problemas com a amamentação, muito leite, Bia não dá conta de mamar tudo e pra ajudar peito rachado. Dói muito essa parte, tô tentando amenizar com banho de sol, leite nas rachaduras e tentando esvaziar a mama....

Enfim esse é meu relato de parto, enorme! Foi uma conquista e tanto após uma cesárea e um parto normal cheio de intervenções hospitalares conseguirmos um parto natural num leito de hospital. Agradeço a toda equipe que me atendeu, ao médico que aceitou meu plano de parto, ao meu marido e minha mãe que em todo momento estavam ali comigo, à minha amiga Inara que acompanhou tudo via fone rs, não deu pra ela vir infelizmente, e é claro à “Anja” Rebeca, que se mostrou pronta a me ajudar e amparar e me ajudar no meu objetivo! Tô muito feliz e realizada! Mas agora fechamos a fábrica rs rs!


Isabel – 01/04/2009